Vida além da vida

A cada dia alguém chega, alguém parte. Todos os dias sorrimos e choramos, flertando com a vida e a morte. Ainda assim, queremos viver como se nossa estada fosse permanente, como se nossos entes queridos também fossem eternos nessa morada.
Estamos de passagem, não somos daqui! Construímos sonhos, entregamos o melhor de nossas energias em prol de múltiplos objetivos terrenos, porém tudo nos é dado por empréstimo e havemos de devolver, inclusive o corpo que nos foi concedido por um breve tempo.
A rigor, não temos como adquirir quaisquer propriedades, posto que tudo nos será tirado afinal, exceto a consciência de quem somos. Planejamos viver setenta, oitenta, noventa anos com saúde e vigor, mas podemos ter que partir, apressadamente, bem antes do que imaginávamos e do que também esperavam aqueles que nos amam; isso é a vida, uma preparação para a morte...
Estamos tão apegados à vida, procurando compreendê-la, que não nos dedicamos a entender o futuro (ou presente) inevitável, que é a morte. Quando nos permitimos pensar nela, pensamento que buscamos sempre afastar criando a ilusão da eternidade na carne, o fazemos normalmente com um misto de pavor e reverência. O pavor nos impede de avançar pelo desconhecido, de buscar o entendimento sobre quem é essa “senhora” que vem ceifar freqüentemente as existências daqueles que nos rodeiam na caminhada terrena, até que nós mesmos sejamos alcançados por seus passos lépidos. A reverência nos faz enxergá-la como superior, inatingível e incompreensível.
A ignorância é fonte do medo. O medo da sabedoria sobre a morte é a fonte do desespero quando as perdas acontecem. Por isso tudo, se quisermos vivenciar plenamente a felicidade enquanto aqui estivermos, teremos que assumir o compromisso de desvelar os mistérios da morte. Essa coragem, essa vontade precisa estar acima de tudo. Compreender a morte significa aprender a “estar no mundo, sem ser do mundo”, representa ir além da vida para descobrir o que existe, o que nos está reservado, e essa experiência nos brindará com o “reino de Deus dentro de nós”.
Se a morte é uma passagem, então com ela somos transportados até Deus. Por que choramos tanto, então? Falta-nos fé e essa confiança é escassa porque a vida espiritual é por vezes superficialmente experimentada.
Se sentíssemos do “fundo da alma” que somos espíritos imortais, todo o medo e toda a lágrima cessariam e até faríamos celebrações em honra dos amados que partem para o reencontro com Deus, ainda que chorássemos essas partidas e ausências, que perdurarão algum tempo e nos trarão saudades e um sentimento doído de falta. Entretanto, tendo a certeza de que brevemente também partiremos ao encontro de Deus, novamente estaremos com os queridos que nos deixaram por momentos.
Caríssimas e caríssimos, aqui estamos para acumular riquezas espirituais, para embelezar o espírito, para construir mansões nas dimensões celestes, para preparar uma viagem maravilhosa ao paraíso...
A credibilidade e reputação a serem conquistadas, o poder a ser alcançado, a glória e reconhecimento a serem usufruídos, estão numa outra dimensão, onde nada se corrompe, nem envelhece, nem adoece, nem se deteriora.
Aquilo que chamamos amargamente de morte é a porta para a entrada nesse reino. Conheçamos o reino para não mais temer a passagem, porque além da vida existe vida!
A felicidade agora e após essa passagem resulta das escolhas hoje, escolhas em prol do amor, simultaneamente devotado ao próximo, auto-endereçado e dedicado ao trabalho que Deus confia na edificação das bases morais e éticas do mundo.
Recomendo o filme “Amor Além da Vida” com Robin Williams, Annabella Sciorra e Cuba Gooding Jr. como excelente reflexão sobre vida, morte e amor.
Dedico essa mensagem a meu amigo Luiz Brito, um empreendedor que sabe como poucos enfrentar desafios e que demonstra galhardia, desejo de superação, resignação e consciência espiritual, mesmo quando defrontado com uma imensa perda familiar.
Vida além da vida, sem medo. Amor que permanece e se manifesta na mais poderosa energia do universo – o pensamento em prece. Esperança e convicção em virtude de sermos seres espirituais, eternos e unificados em Deus!
“Deus, que habita dentro de mim, reverencia Deus, que habita dentro de você!” (Namastê!)
Amém!
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